Você tem vontade de passar uma temporada na Chapada Diamantina? Mas fazer aquele roteiro slow travel? Com tempo para desfrutar, comer bem e não ficar tanto tempo dentro do carro indo prum canto e pra outro ? Então a primeira dica é : fuja de agências predatórias. Para viver o lugar é preciso ir por conta e seguir as orientações dos nativos.
Eu sou de Seabra e vou te contar como viver dias intensos e ao mesmo tempo relaxantes a partir do que vivi no verão de 2026, segue o fio. Eu fiquei hospedada no Chalé das Mangabas , a nossa acomodação aqui em Iramaia. Eu não estava a fim de nenhuma badalação, só viver e curtir a paisagem e boa companhia dos moradores locais, as vezes é isso que você está preciasndo: PAZ, desconexão com redes sociais.
1º dia– chegada via Ibicoara, compras fartas nos mercados, hortifruti, padaria, eu não queria voltar a cidade para absolutamente nada;
2º dia– Fui conhecer as instalações do Festival Torus e tomar banho no Brejinho;
3º dia- Cachoeira do Fundão por baixo e piquenique ;
4º dia– Cachoeira do Fundão por cima e curtir até por do sol;
5º dia– Curtir Chalé, comidinha caseira, ir no Bar de Dona Leninha e atividade de noite na Casa de Cultura;
6º dia– Cachoeira Raízes , Escorrega, final do dia Pastel de palmito de Jaca em Sanção Lanche no vampo Redondo;
7º dia– Cachoeira do Licuri + por do sol e Povoado do Campo Redondo com direito a feirinha no Circo Redondo + Pizza no Bistrô A Camponesa;
8º dia- Cachoeira do Buracão, com direito a Rapel, Tirolesa, cachaçaria artesanal e Museu Igaraçu ;
9º dia– Cachoeira da Vendinha com Pinturas no Rupestres , almojanta na casa dos nativos (Neinha ou Taliva), claro que foi galinha caipira, pois a trilha é de nível moderado ;
10º dia– Ida para Mucugê – almoço e tour na Vinícola Uvva- dormida em Mucugê- curtir a noite na cidade histórica – jantar no Odeon Bistrô;
11º dia – Café da manhã na Pousada Café Preto Mucugê – saída de Quadriciclo até a trilha da cachoeira da Matinha- almoço no Bistrô Cantinho da Serra em Mucugê – Visita ao cemitério Bizantino, – Retorno para Ibicoara – compras no mercado e hortifruti;
12º dia – Descando e curtir o Povoado da Raposa- foi dia de catar muita mangaba e teve jogo de futebol feminino por aqui e noite do hamburguer;
13º dia – Acordar cedo e partir para Cachoeira do Herculano em Itaetê , trilha moderada e almojanta na comunidade de Colônia- retorno tardio;
14º dia– Descanso na Raposa, curtir por do sol e roda de fogueira
15º dia – Retorno para cidade de origem
Ufa, viram, como tem coisas para fazer todo dia ? E eu não quis lotar para o corpo ter tempo de se recuperar, tomar banho bom de banheira, ler livros de fotografia, desacelerar mesmo.
Além de alugar o Chalé, eu atuo como Travel Design, monto seu roteiro estruturado, dia-a-dia, da hora que você sai de casa ou do aeroporto até seu retorno. Neste mapa de viagem, terá a melhor rota rodoviária, o contato dos guias, casas de família de TBC-Turismo de Base Comunitária, mirantes, restaurantes imperdíveis, pratos saborosos, lojinhas, artesanatos, produtos para compras, feira livres e ainda ficamos à disposição para tira-dúvidas via Whatsapp. Contatos pelo mail : falecomjurema@gmail.com ou Instagram: juremacintra
Já tinha passado da Hora de escrever sobre este tema. A logística na Chapada Diamantina é difícil, então, infelizmente ou felizmente, o melhor jeito de desfrutar da região é de carro.
Felizmente por que você vai ter muito mais liberdade com o carro, e independência, e também por que poderá colocar muito mais atrativos em um único dia e se viajar entre amigos, economiza bastante. Para fazer cotação nas locadoras de carro clique aqui e ajude nosso blog, faça a busca para aeroporto de Vitória da Conquista ou aeroporto de Salvador .
Infelizmente por que a precariedade das estradas dificulta o poder público de chegar, e prejudica as comunidades locais.
Outro dia uma seguidora do perfil @chaledasmangabas me perguntou sobre Uber para levá-la da Rodoviária de Ibicoara ao Chalé e depois para as cachoeiras, eu quase cai para trás. Só que ela não estava errada, o que é óbvio para mim, não é para ela que é de outra cidade.
Então vamos lá, Ibicoara e Iramaia, não tem Uber, nem aplicativos, ou você vai de carro, ou fecha com agências (aqueles passeios amarradinhos de horários e com muita gente), ou vai com algum guia que tenha carro. Eu fui pro Jalapão com agência e detestei. Jalapão é lindo e maravilhoso e com certeza vou voltar com meu carro e fazer tudo de novo com liberdade, curtindo cada minuto e cada pedacinho daquele solo sagrado.
Então ir de carro para Chapada Diamantina , é a melhor opção em todos sentidos ou procure uma agência decente, que te oferece tempo para contemplar e viver a comunidade.
Eu arrumo meu carro da seguinte forma, pouca mala para sobrar espaço para trazer vários itens que adoro, levo um cooler ou caixa térmica e sacolas para fazer comprinhas. Sim, tem muita coisa legal e única, a carne de sol de Seabra, a carne salgada de porco de Seabra, a tal da costelinha, que tem de chegar cedinho na feira para pegar, eu trago tudo congelado, feijão de corda, andu, mangalô e fava, esses feijões verdes deliciosos, congelo também, palma, caxias(cabaça verde), tudo cortadinho e pronto para congelar. Mas se me verem com a caminhonete lotada, é carregando coisas para cima e pra baixo que minha vida se resume a levar comidinhas para lá e para cá.
Deixe espaço para os artesanatos de palha, para as cachaças, para os vinhos, para as camisetas. Eu tenho de insistir nisso, por que a gente é muito colonizado. Quando meus amigos viajam para exterior ou para a Argentina, vão de malas vazias, para voltar carregado de coisinhas, eu trouxe sardinha de Portugal, muita roupa de frio da Bolívia, é aí, … por que quando você viaja pela Bahia não pensa em ir vazio para voltar carregado de cultura ? de comida ? de desejos ?
Então vamos descolonizar o pensamento, tem muita coisa legal para adquirir aqui na Bahia e na Chapada Diamantina, então sim, na Road Trip, pensem na arrumação do carro.
MALAS
Polêmica .. ahhhhh…. todos me fazem a mesma pergunta …. Vai chover ? o que levar ? Então gente, tirando passeio no deserto, as mudanças climáticas estão deixando tudo caótico, a gente tem uma base climatológica, mas não certezas. Enfim, o básico é :
BOTA DE TRILHA (Aquele tênis de academia não serve) e meias;
Blusa UV
Roupas leves para trilha (invista numa calça legal com bolsos, etc_, aquela sua de academia pode estragar viu, aviso logo, a depender da dificuldade da trilha;
Roupa de banho (no mínimo 2 peças, pode ser difícil de secar) calcule quantas trilhas e quantos dias vc vai usar, de noite pode ser que não seque, por que faz frio na Chapada em face da altitude de algumas cidades;
Protetor Solar ;
Sandália Rasteirinha (as cidades de Lençóis, Mucugê, Rio de Contas, é tudo de pedra, então usar sapato alto é correr risco mesmo);
Roupa de Frio, pois é se for nos meses de maio até agosto fará bastante frio de noite e até durante o dia, então casaco corta vento para trilha também ;
Canga (pensa num trem útil na trilha, para colocar seu lanche em cima, para se enxugar, monte de coisas);
Roupas confortáveis, vestido, short, etc.
No inverno: casaco, bota, cachecol, touca, vale mesmo levar, eu amo Xale, é bonito e prático.
ESTRADAS
O cerne da Road Trip e primeira coisa: NÃO CONFIE EM APLICATIVOS, Waze, Maps, etc, pode dar erros absurdos, que vocês não tem noção. É comum aqui no Povoado da Raposa, aparecer pessoas às 23:00, 24:00 perdidos, com fome, e desesperados, por que o aplicativo mandou cortar caminho pela zona rural, um caos. Já teve um caso pavoroso de uma carreta imensa que veio pela Raposa por que o aplicativo mandou cortar caminho para Cascavel, quando tudo era 100% asfalto na outra estrada segura. E aqui tem curvas que caminhão grande não faz vindo de Ibicoara. Resultado, carreta atravessada no meio da estrada, quase tombou e seria uma tragédia. Na zona rural prefira o Google Maps, já vi casos bizarros de uso do WAZE e a pessoa se perder bem feio mesmo, do tipo de dar meia noite e a pessoa não ter chegado no destino e aparecer na Raposa. É fundamental pedir informações de como chegar ao seu hotel, ao seu guia de turismo, à sua hospedagem, pedir fotos de referência, ver placas e pedir informações aos moradores.
Antes de sair de casa ou do aeroporto se informe com seu meio de hospedagem qual o melhor trajeto, eu sei que a gente se acostumou com a MODERNIDADE, com ligar e aplicativo e ir sem pensar, mas NÃO FAÇAM ISSO, ligue no seu hotel, mande mensagem no Airbnb e peçam a melhor rota de asfalto e como é a parte rural de estrada de chão, se informe mesmo.
Geralmente as estradas de acesso são a BR 242 muito movimentadas, cuidado com o trânsito de carretas e caminhões e sempre respeite a sinalização.
A BA 142 é bem acidentada, tem curvas e ponte que só passa um único carro, atenção redobrada e evitem viajar de noite se não conhece o trecho.
Vale do Capão está 100% asfaltado até a sede da Vila e agora o tempo de viagem diminuirá .
COMBUSTÍVEL E ANDAR EM ESTRADAS RURAIS
Antes de fechar sua hospedagem sempre pergunte como é o acesso e que tipo de veículo adentra. Quantos km de estrada de chão e a máxima, NUNCA, JAMAIS ENTRE NA ZONA RURAL sem estar com tanque cheio e abastecido, se o aplicativo lhe der uma “volta” te colocar numa enrascada você estará com tanque suficiente para procurar ajuda, Confira pneus, step, etc e seguro viagem é importante sempre e sempre inclusive no aluguel do carro.
DICA: Pede a nota fiscal do abastecimento, da hospedagem, etc, isso ajuda a deixar impostos na sua passagem, em locais pequenos que precisam muito.
Estrada da Serra do Contestado – IramaiaVaqueiro no Povoado do Cobreiro- Iramaia
Lembre-se que pode ter boi no caminho, cabras, cavalos, jegues, vaqueiros, árvores caídas, serpentes, animais silvestres, tudo isso acontece nas roças das caatingas e cerados de nossa Chapada, prefira andar durante o dia.