FOTOGRAFIA, temos aos montes

FOTOGRAFIA, temos aos montes

Comprei um livro de fotografia novo, só isso mesmo. Adeus.

Não, nada na minha via é simples quanto um adeus, tudo tem laços e interpendências. Interdependência: aprendi o significado desta palavra no Mestrado em Biodiversidade e ela me acompanha diuturnamente.

E foi minha colega de Mestrado que me fez sair de Ilhéus e partir para Salvador para assistir o show da Marisa Monte na Fonte Nova, mesmo eu não gostando de ficar em pé em estádio de futebol, ainda assim, decidir ir.

Como nordestino só anda em “corda de caranguejo”, vem ela, com mais duas amigas , todas do Maranhão. Eu como boa baiana fui ciceronear, claro, a gente põe um tapete vermelho para o turista passar, mas não venha com tirania para cima de mim, nem de meu povo. Falaram para elas que comida baiana era ruim e iriam passar fome. Fui eu, levá-las em excelentes restaurantes e barzinhos de comidas baianas, com S, plurais. Estado grande, gastronomia imensa.

Passeio clássico no Pelourinho, Mercado Modelo e sua galeria, essa foi novidade e gostei deveras. Curadoria  de obras de arte e fotografia impecáveis. Estava lá Pierre Verger, adorado por mim e tantos outros, então tive tempo de abordar esse tema Fotografia e Arte na Bahia. Guarde essa frase: fotografar a Bahia.

Subimos elevador Lacerda, tomamos sorvete de pudim,  e o almoço foi no Palacete Tira Chapéu, que depois da restauração está impecável; almoço delicioso e um espumante baiano de Mucugê para celebrar o encontro, a vida e a amizade.

Eis que os portões da fonte Nova abririam 15:30, era 15:00 e a gente ainda nem tinha comido sobremesa e nem tínhamos explorado as outras áreas do palacete.

Íamos atrasar , era fato, mas o show começava 18:30 e na minha cabeça de baiana, “dava tempo de sobra” , a galeria de arte ali no térreo tem peças interessantes e a doçaria com balcão convidativo para uma pessoa que é atraída por doce facilmente, no caso esta escritora que vos fala.

Eis que vejo, um LIVRO: CHAPADA DIAMANTINA, de capa azul brilhosa parecia uma quimera, intensa, encorpada, diagramação externa gerando impacto imediato. Quando entrei no Metropolitan em Nova York e vi Rembrandt , um sopro na alma , impacto. Quando entrei na Catedral de Toledo e vi El Greco, suspiro, arrepio no corpo, no Vaticano ver Caravaggio foi alucinante, ou seja, impacto. Guardem esses nomes, farão sentido no final desta crônica.

Vi o livro , pela capa e a última página com a frase:  Obrigada Chapada , a foto é a mão de um sertanejo segurando seu chapéu de couro, comprei sem pestanejar. A vendedora pegou rapidamente um exemplar lacrado com invólucro e uma sacola, tão bela que remete a capa de outro livro do mesmo autor. Perguntei sobre ele, de onde era, a vendedora prontamente e com muita gentileza mostrou-me a página da descrição do fotógrafo Kiko Silva de Salvador e seu Instagram.

Eu não tinha tempo, precisava correr, urgia mostrar a Praça Castro Alves, o Sulacap, o Hotel Fassano e Fera Palace e em 3 minutos falar um pouco dessa sociologia  urbana da cidade de Salvador, carnaval, história colonial e contemporânea, pelo olhar de filha de professor universitário da disciplina  Geografia da Bahia. Uma responsabilidade e  dificuldade grandes, ambas imensas. Como a missão era impossível, tarde de muito sol, livro pesado na mão, e história complexa, só nos restou 1 minuto de contemplação da paisagem urbana e partir para casa se arrumar para o show de Marisa Monte, desta cantora que sou fã desde tenra idade. Veredito para novas amigas: fotografem as belezas em suas mentes? Então voltem para desfrutar com calma, cada museu, cada igreja, as praias, segundo elas, aceitaram o conselho.

Senhores, eu não tenho condições psicológicas de ir para Show na Fonte Nova, a logística é dificultosa. E emocionalmente fico com aquela agonia para ela cantar Segue o Seco, que é das letras mais icônicas de Carlinhos Brown, a descrição da relevância da chuva para o povo do sertão, do aboio, dos vaqueiros, e não é que assim que ela terminou de cantar choveu muito, só naquele instante, e, depois a lua e as estrelas surgiram lindamente. Na Bahia, existem mistérios indecifráveis .  Vilarejo foi a música de abertura, quem tem 20 anos de lançada e mostrando o quanto a palavra é imorrível e eterna, faz muito sucesso atualmente entre jovens e crianças  quanto permeia e ilustra milhares de vídeos em redes sociais. Descreve um vilarejo bucólico do Brasil profundo, que obviamente eu remeto a minha Chapada Diamantina. Final de Show, Bem que se Quis cantado na capela e depois o público sozinho, se despedindo com seu próprio cantar, foi metalinguagem . Marisa já fora do palco, agora era jantar e meus pés pediam casa. Mercado Modelo, Pelourinho, Centro Histórico, Palacete, Almoço, Praça Castro Alves, indo e vindo do Imbuí para Barra, Centro , Dique, Fonte Nova, Rio Vermelho, Imbuí, o cansaço tomou-me.

Pela manhã surje a ressaca moral de não ter feito uma única foto do show. Não bebi, não fui ao banheiro, não me destraí, peguei celular apenas para  fazer 2 vídeos de 09 segundos . Meu olhar estava atento a cada gesto, cada acorde, cada palavra interpretada, cada cor escolhida na produção visual, cada arranjo da orquestra. Eu fotografei aquele show com a memória de quem ama Marisa e MPB.

O cansaço era grande e a cama fiel companheira na manhã de domingo, ao ir beber água, vi a sacola verde brilhosa e lembrei do livro e decidi folhear antes de levar para o Chalé no Povoado da Raposa, município de Iramaia,  onde tenho uma mini-coleção de livros de fotografia sobre Chapada Diamantina e sertão, autores como Ieda Marques, Rui Rezende, Rodrigo Galvão entre outros.

Folheando, noto uma diagramação bem peculiar, a página da direita com a foto e a página esquerda, anteposta com um cor, monocromática e um frase ou palavra simbólica e escrito a cidade onde foi capturada  O sono me tomava ainda mais, e eu,  seguia com o balé das páginas de forma despretensiosa.

As palavras , tão poucas, faziam todo sentido para mim que sou chapadeira e nascida em Seabra. Falar pouco é extremamente difícil, vejam o tamanho desta crônica… Ser sucinto é raro e complexo. Quando chegou na foto do Vaqueiro de Iramaia, meu coração acelerou, vejo os vaqueiros desde a infância e nas estradas de Iramaia por onde viajo tantos vezes na solitude, eles são marcantes, sempre os fotografo e converso.  Então a partir daquele momento o livro estava falando com a minha alma. Fui até o fim, percebi os padrões, aulas de literatura do professor Luis Alberto em Feira de Santana, as aulas de artes e as horas e horas correndo museus treinaram meu olhar, que é singelo, mas foi o que senti.

Uma fotografia Barroca, escura, sombras que escondem beleza, sombras das águas que escondem mistérios e fé, sombras das rochas que escondem o tempo, sombras nos rostos que escondem suas complexidades. Ângulos desconcertantes, sem obviedade, ineditismo. O barroco do jogo de luz e sombra é real e presente.

 A dicotomia, por que a foto traz mistério e sombras, o texto na página anteposta e a cor traz a luz, a revelação, é preciso olhar mais ao lado, é preciso olhar para dentro de si e da palavra anteposta para revelar território e sentido. As sombras dramatizam a natureza, o cenário,  a sombra mostra onde está a lente do fotógrafo, direciona o olhar, bandeirolas e suas sombras, nada mais Volpi, nada mais barrocamente brasileiro. Sombras das águas negras dos nossos rios, movimento sobre as sombras das águas. A dualidade entre a foto sombreada pela magia da luz natural e a vibração da página monocromática. O realismo do rosto crus dos trabalhadores, vejo um sertão cruel de seca, mas farto de cultura e ancestralidade.

 Lembram dos pintores que citei? Foi impacto o que senti ao olhar o livro pela terceira vez, já em companhia de uma prima querida, amante da Chapada como eu, andante e caminhante,   narrei minhas percepções por quase uma hora , ela olhava admirada, e confirmava: é isso mesmo !

O musgo verde e amarelo nas paredões rochosos das cachoeiras de Ibicoara, é tudo que nosso povo brasileiro é, a bandeira oficial não é neutra, nem nosso olhar, a identidade colorida, os sentimentos plúmbeos. O céu estourado de branco, é proposital, muita luz, muita sombra, paradoxos barrocos. As duas páginas juntas tem trimendisionalidade: imagem, palavra, sombra.

A página da Fotografia é o Significado, a página da Cor é o Significante, uma é a evocação palavra, outra é a palavra, é um jogo de luz e sombras full time , é um desafio mental a cada nova foto, cada movimento de minha mão, mais uma descoberta. O Livro é o Signo.

Temos montes de fotografias vazias nas redes sociais, mas temos Marisa Monte que canta Vilarejos bucólicos e Kiko que os fotografa com arte, dando sentido a um povo, a um coração baiano. Kiko Silva, a Chapada Diamantina lhe diz: Obrigada, devolvendo afeto aos montes através dessas palavras

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Ilhéus precisa renascer

Ode ao Mel de Cacau

Qual aeroporto mais perto da Chapada Diamantina ?

Qual aeroporto mais perto da Chapada Diamantina ?

Qual aeroporto é mais perto da Chapada? Existe nesta pergunta um erro conceitual e geográfico, a Chapada Diamantina são 40 municípios se contarmos o entorno. O Parque Nacional da Chapada Diamantina é uma unidade de conservação federal e foi criada em 1985, há 41 anos, ou seja, tudo vai depender se você quer ir para Chapada Norte, Chapada Velha, Chapada Sul ou Chapada histórica, assim o melhor aeroporto é diferente.

Mapa de acesso rodoviário à Chapada Diamantina. Fonte: http://www.guiachapadadiamantina.com.br/como-chegar/mapa-e-acesso/

Se você quer ir para Morro do Chapéu, Jacobina ou Campo Formoso na Chapada Norte, melhor seria pousar via Salvador no Aeroporto 2 de julho, me recuso a chamar o outro nome. Depois alugar um carro e partir via BR 324 e depois estrada do feijão.

Se você quer ver a Chapada Histórica, Lençóis, Palmeira e o famoso Vale do Capão e a Fazenda Pratinha no município de Iraquara tem um aeroporto que te deixa na beirinha, que é o Horácio de Matos em Lençóis, porrém os vôos são muito caros, contudo vale a pena por que você não irá dirigir quase nada. As opções de aluguel de carro são bem menores e por isso reserve com muita antecedência locação ou transfer das agências de turismo.

Agora a cereja do bolo e que quase ninguém te fala, o aeroporto de Vitória da Conquista, Glauber Rocha, tem vôos diretos de montão de cidade do Brasil, foi ampliado, tem ótimo preço de passagem, até com milhas e te deixar apenas 02:30 h de Chapada Sul, saindo de lá pegar a BA 142 via Anagé e já bate em Itaaçu, onde tem o balneário Moendas e a Gruta da Mangabeira, voilá, mais 01 hora, estarpá na fascinante Mucugê e na vinícola Uvva. Bem menos tempo de viagem de Salvador para Lençóis que a depender do feriado terá um trânsito monstruoso na BR 324, às vezes de 4/5 horas apneas para fazer 100 km. Via Vitória da Conquista fica mais acesso à Piatã onde tem o pico dos Barbados, o mais alto do Nordeste que é atrativo de montanhistas, onde tem fazendas com cafés especiais abertas à visitação, Abaíra, Iramaia para acesso à Serra da Raposa e Ibicoara, cidade da Famosa Cachoeira do Buracão.

Cachoeira da Matinha/Mucugê

Vitória da Conquista tem boa malha aérea, tem todas as grandes locadoras de carro, clique aqui e faça busca e tem estrutura hoteleira com redes regionais e nacionais para suporte caso pegue aquele voo noturno.

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Atuo como Travel Design, monto seu roteiro estruturado, dia-a-dia, da hora que você sai de casa ou do aeroporto até seu retorno. Neste mapa de viagem, terá a melhor rota rodoviária, o contato dos guias, casas de família de TBC-Turismo de Base Comunitária, mirantes, restaurantes imperdíveis, pratos saborosos, lojinhas, artesanatos, produtos para compras, feira livres e ainda ficamos à disposição para tira-dúvidas via Whatsapp. Contatos pelo mail : falecomjurema@gmail.com ou Instagram:juremacintra

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Quais as principais dúvidas para montar um bom roteiro para Chapada Diamantina ?

Povoado da Raposa e o luxuoso Chalé das Mangabas

15 dias Raposeando

15 dias Raposeando

Roteiro longo pela Chapada Diamantina Sul

Você tem vontade de passar uma temporada na Chapada Diamantina? Mas fazer aquele roteiro slow travel? Com tempo para desfrutar, comer bem e não ficar tanto tempo dentro do carro indo prum canto e pra outro ? Então a primeira dica é : fuja de agências predatórias. Para viver o lugar é preciso ir por conta e seguir as orientações dos nativos.

Eu sou de Seabra e vou te contar como viver dias intensos e ao mesmo tempo relaxantes a partir do que vivi no verão de 2026, segue o fio. Eu fiquei hospedada no Chalé das Mangabas , a nossa acomodação aqui em Iramaia. Eu não estava a fim de nenhuma badalação, só viver e curtir a paisagem e boa companhia dos moradores locais, as vezes é isso que você está preciasndo: PAZ, desconexão com redes sociais.

1º dia– chegada via Ibicoara, compras fartas nos mercados, hortifruti, padaria, eu não queria voltar a cidade para absolutamente nada;

2º dia– Fui conhecer as instalações do Festival Torus e tomar banho no Brejinho;

3º dia- Cachoeira do Fundão por baixo e piquenique ;

4º dia– Cachoeira do Fundão por cima e curtir até por do sol;

5º dia– Curtir Chalé, comidinha caseira, ir no Bar de Dona Leninha e atividade de noite na Casa de Cultura;

6º dia– Cachoeira Raízes , Escorrega, final do dia Pastel de palmito de Jaca em Sanção Lanche no vampo Redondo;

7º dia– Cachoeira do Licuri + por do sol e Povoado do Campo Redondo com direito a feirinha no Circo Redondo + Pizza no Bistrô A Camponesa;

8º dia- Cachoeira do Buracão, com direito a Rapel, Tirolesa, cachaçaria artesanal e Museu Igaraçu ;

9º dia– Cachoeira da Vendinha com Pinturas no Rupestres , almojanta na casa dos nativos (Neinha ou Taliva), claro que foi galinha caipira, pois a trilha é de nível moderado ;

10º dia– Ida para Mucugê – almoço e tour na Vinícola Uvva- dormida em Mucugê- curtir a noite na cidade histórica – jantar no Odeon Bistrô;

11º dia – Café da manhã na Pousada Café Preto Mucugê – saída de Quadriciclo até a trilha da cachoeira da Matinha- almoço no Bistrô Cantinho da Serra em Mucugê – Visita ao cemitério Bizantino, – Retorno para Ibicoara – compras no mercado e hortifruti;

12º dia – Descando e curtir o Povoado da Raposa- foi dia de catar muita mangaba e teve jogo de futebol feminino por aqui e noite do hamburguer;

13º dia – Acordar cedo e partir para Cachoeira do Herculano em Itaetê , trilha moderada e almojanta na comunidade de Colônia- retorno tardio;

14º dia– Descanso na Raposa, curtir por do sol e roda de fogueira

15º dia – Retorno para cidade de origem

Ufa, viram, como tem coisas para fazer todo dia ? E eu não quis lotar para o corpo ter tempo de se recuperar, tomar banho bom de banheira, ler livros de fotografia, desacelerar mesmo.

Além de alugar o Chalé, eu atuo como Travel Design, monto seu roteiro estruturado, dia-a-dia, da hora que você sai de casa ou do aeroporto até seu retorno. Neste mapa de viagem, terá a melhor rota rodoviária, o contato dos guias, casas de família de TBC-Turismo de Base Comunitária, mirantes, restaurantes imperdíveis, pratos saborosos, lojinhas, artesanatos, produtos para compras, feira livres e ainda ficamos à disposição para tira-dúvidas via Whatsapp. Contatos pelo mail : falecomjurema@gmail.com ou Instagram: juremacintra

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Como chegar de avião na Chapada Diamantina

Road Trip na Chapada Diamantina

Currascaria Recanto Nosso Lar

Currascaria Recanto Nosso Lar

Não é turístico, mas devia ser.

Os pontos turísticos de Ilhéus vem se ampliando, o destino está finalmente sendo divulgado como merece, e a agenda nacional e internacional da Secretaria de Turismo está a todo vapor.

Mas sabe aqueles cantinhos, que só moradores frequentam? Que é bom, bonito e barato, mas está TOTALMENTE fora do circuito ?

Milhares de turistas passam na sua porta, mas não dão valor, seja por que fica num bairro de vulnerabilidade social, ou por que a rodovia BR 415 requer atenção e geralmente o motorista tá com pressa de chegar, ou por que simplesmente os donos estão mais preocupados com qualidade, e, atender bem quem chega, do que fazer post bonitinho. Aliás, post bonitinho e restaurante ordinário a internet tá cheia.

Já são quase duas décadas frequentando a Churrascaria Recanto Nosso Lar no bairro Banco da Vitória em Ilhéus. Sei o nome do dono ? Não. Sei quem ele é : SIM; ele vai em todas as mesas cumprimentar cada pessoa, um poço de gentileza e isso falta nos dias de hoje, a gente chega no lugar chique e tem garçom de cara fechada(eu como defendo trabalhador sempre acho que o salário está atrasado e deve ser péssimo trabalhar ali). Neste lugar que deveria ser turístico, a gentileza e simpatia de todos os atendentes reinam. Pensa num “case de sucesso”, é um lugar que estudante de gastronomia devia fazer estágio. É sucesso e casa cheia o ano todo. Tudo funciona rápido e com eficiência, é impressionante, nunca entrei na cozinha, mas o entra e sai, demonstra que montaram um esquema que deu certinho, é experiência e comprometimento.

Tem aquela história do padrão? Então, me impressiona que não importa quando você for lá, hoje, ou daqui um ano, casa cheia ou casa vazia, a salada virá cortada e montada do mesmo jeito, até as folhas de hortelã miúdo, tem uma posição exata e precisa, a couve impecavelmente fatiada fininha, dá gosto de ver e comer, azeite do bom… casa simples com azeite bom, nem precisa lembrar que tem restaurante chique por aí trocando azeite por óleo composto. A carne sempre estará suculenta, a cebola assada no ponto ideal, a farofa de banana…. ahhh .. a farofa de banana…. a farofa … eu sou apaixonada, eu amo, eu adoro, eu recomendo, eu admiro de quem sejam as mãos que criaram a receita naquela medida exata de farinha, de manteiga e de banana da terra não tão madura, não tão verdosa.

Existe ali naquele prato um equilíbrio de sabor raro de acontecer na gastronomia. A farofa é molhadinha, mas não é gordurosa, a banana é doce, mas não tanto, os torresmos são espetáculo de crocância. A genialidade geralmente é vista em pratos com nomes estranhos e complexos(espuma disso, mousse daquilo), mas aqui em Ilhéus o simples se tornou genial com ingrediente tão nosso, tão brasileiro, tão ancestral, que é a farinha de mandioca. Chefs de cozinha do mundo inteiro deveriam vir à Ilhéus para experimentar a melhor farofa do mundo. Exagero desta escritora ? Não sei, posso ser hiperbólica ? muitas vezes, contudo, entretanto , todavia, eu viajo para comer, segundo meu Mapa no TripAdvisor eu andei 13% do mundo(pouco, quero mais), acredito que comi muita farofa em muito lugar e fui em bons restaurantes, eu afirmo sem qualquer erro ou modéstia, até por que esta avaliação é genuína: a carne do Recanto Nosso Lar e a Farofa de banana é um dos melhores churrascos do Brasil e do Mundo. É tudo bom e pronto.

Termina aqui não, tem lugar que a carne é boa , mas o acompanhamento falha, aqui não. Arroz é sempre soltinho, quentinho, um amorzinho. O feijão fradinho outro patrimônio cultural desta Bahia gigante, o feijão fradinho tropeiro e nutritivo, gostoso, é tudo tão harmônico. Tem lugar estrelado que não sai um arroz bom, aqui a comida é DECENTE, DIGNA, a dignidade na gastronomia é aquele serviço que tem verdade, que tem entrega e tem sabor único. Podia ser só carne, mas é viver uma abundância: mais uma farofinha por favor e o dono trás. E a cebola assada… é brinde …

Brindemos o Mamilo e a Picanha, brindemos a Calabresa suculenta, brindemos a nossa pecuária baiana, é boi que vem de pertinho sem muita logística, sem desperdício, E não é que tem um boi de escultura lá no fundo ? As crianças adoram. Outra coisa interesante é o paisagismo, é cheio de pé de cacau dentro da churrascaria, não sei por que, mas eu amo isso, não esquecer jamais que estamos na terra do Cacau e do Chocolate. O preço? Nem tem preço o serviço que eles fazem, aqui tem valor, é a La Carte, vc escolhe seu espeto de 200g, 400g ou 600 g de carne e tudo virá delicioso, precinho em conta demais. E a higiene do lugar, ahhh , olhem as assadeiras de carne reluzindo de tão areadas, brilhando de tão limpas, os espetos também, todas as funcionárias de touca descartável, é um estabelecimento de alimentação que se importa com as coisas, com as pessoas e que eleva o alimento a outro patamar, não é só comer e se fartar , é DESFRUTAR.

Em tempo de BBB na TV, temos aqui em Ilhéus carne Boa, Bonita e Barata, num lugar Bom, Bacana e Baiano .

Já sabem né, pouca foto, para estimular seu cérebro preguiçoso ler e suas pernas caminharem até o Banco da Vitória, na BR 415, km, 07 e ir comprovar se estou sendo hiperbólica ou não.

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Leia também: As melhores moquecas de Ilhéus

Restaurante Morro dos Navegantes

Restaurante Maróstica

Chapada Diamantina para crianças

Chapada Diamantina para crianças

Eu sou bem taxativa sobre isso, ainda mais com minhas leituras de Paulo Freire: todo lugar é bom para criança viajar, a leitura do mundo ao seu redor sempre pode ser lúdica, basta os adultos terem boa vontade e se envolver.

Claro que em Ecoturismo temos de ver sobre segurança e desgaste físico, Cachoeira da Fumacinha não é lugar de criança pequena nem bebê, exceto se os pais e guias fizerem um grande pjanejamento.

Então vou falar sobre Iramaia e Mucugê que é uma casadinha TOP para quem está com crianças.

IRAMAIA

Cachoeira das Andorinhas chega de carro bem na berinha, é boa para todas as idades, quanto mais o público infantil e 60+, ou seja, perfeita para fazer piquenique, para levar crianças em segurança e fazer refeições; passar o dia inteirinho. Na Prainha do Dandara também. Mas não se esqueça que lixo orgânico se traz de volta e reciclagem também, nada de deixar lixo e restos de comida na cachoeira, seja Lixo zero você também, condição fundamental do viajante de ecoturismo é cuidar de seu lixo.

Iramaia tem guias de Ecoturismo com carro e pode te levar nos lugares mais distantes, como a Cachoeira do Licuri que fica 47 km do centro de Iramaia, divisa com Ibicoara e é uma delícia, é nível leve, mas crianças a partir de 06 anos vão, só ter um pouco de paciência. Inclusive tem a trilha por baixo, além da cachoeira Raízes e Escorrega, tudo ideal para os pequenos.

No Povoado da Raposa temos o most, tudo de bom, um riozinho que chega de carro, que é o Brejinho, ou Rio da Raposa, facílimo de localizar via estacionamento da Pousada Raposa(google) . Só deixar o carro, descer 10 degraus de escada de dormentes de trem, muito bonita e pronto, até piquenique é possível fazer e ficar o dia inteirinho, quarando no sol.

A imponente Cachoeira do Fundão é outro passeio fácil de ir por cima e por baixo com crianças. Por baixo, são cerca de 20 minutos em chão batido e mais 4 minutos por pedras, é só ter cuidado e vai dar tudo certo. Nosso guia Romário leva seu filho de 2 anos, ou seja, água com acúcar, mas como está numa propriedade privada precisa sim de guia acompanhando, apenas para o acesso, não tem taxa de entrada. São 225 metros de altura e poços deliciosos para banho, mesmo você achando que de longe não tem água, é ilusão de ótica, a água está sempre minando pelo aquífero fissural lá em cima.

As pinturas rupestres é outro passeio bem legal, são 30 minutos de caminhada na ida + 30 na volta,pense para maiores de 08 anos e tá tudo certo, muita água e um pouco de paciência que tudo dará certo. Crianças ficam deslumbradas e cheias de criatividade interpretando os desenhos milenares.

No Chalé das Mangabas situado no Povoado da Raposa , o jardim catingueiro é um incentivo às brincadeiras e ao conhecimento da fauna local, ficar em silêncio, ouvir os pássaros, ver as estrelas com telescópio, colher fruta do pé, tudo isso é absolutamente pedagógico e divertido, pra mim, melhor do que lugares de consumismo, é respirar a chapada com toda sua intensidade.

No Caminho para Mucugê ainda temos o Museu Igaraçu e o Circo Redondo com atividades culturais, a Tirolesa do buracão e a Toca do tatu com atividades variadas e passarinhada para iniciantes, e a Pizzaria artesanal no Bistrô A Camponesa e pastel de palmito de jaca ou coxinha, tudo que criança ama comer não é ?

Aliás a Cachoeira do Buracão em Ibicoara é água com açúcar para criança também, só avisar ao guia e se planejar, olha nosso amigo e condutor de ecoturismo Roney Aguiar da Radical Chapada com seu pupilo aí.

MUCUGÊ

Mucugê é muito proveitosa, por que a cidade caminha em ritmo lento, poucos carros, ruas de pedras, lojinhas, delícias como uma fábrica de chocolates finos para visitação, filarmônica, muita atividade cultural, festas juninas ideal para se divertir com crianças e também o festival de forró que tem muitas atividades pela manhã e tarde, alías é o melhor da festa é curtir tudo que acontece durante o dia. Hamburgueria e cafés com tortas saborosas, é ou não paraíso gastronômico para criança ? Tem restaurantes á kilo também para quem tem mais restrições.

De passeios, tem Cachoeira da Matinha com quadriciclo e o Parque Muncipal da Sempre Viva temn tudo num lugar só : cultura com o museu do garimpo, conservação ambiental e banho de cachoeira da Piabinha (sem trilha). Tudo de bom para quem tem bebê ou grávidas ou crianças de colo, poços pequenos e com água relaxante, e mais 1 km na frente com trilha bem leve, a Cachoeira do Tiburtino.

Ainda tem o turismo rural com Meliponários como Bee Origem Eco, Sítios de frutas Vermelhas como Sítio do Galera, Fazendas de café como Igaraçu, que recebem visitantes com agendamento prévio.

E aí, empolgou de levar suas crianças e filhotinhos ???

Meus pais são geógrafos, Maria Lucia e Marialvo, ele Chapadeiro, ambos professores da UEFS, e idade nunca foi problema pra gente, desde a tenra idade subi e desci serra, com seus alunos e com amigos, cuidado apenas com o banho, NUNCA PULAR EM POÇOS OU DE CABEÇA, nunca pular sobre pedras, ter cuidado na passada, pés sempre firmes, respeitar as regras ambientais, ficar de olhos bem abertos, ouvir atentamente quem está guiando e pronto, leve seus filhos PARA TUDO MESMO.

E tem muito mais, se você quer um roteiro personalizado pela Chapada Diamantina, entre em contato pelo instagram @juremacintra ou pelo mail falecomjurema@gmail.com. Fazemos seu script dia-a-dia atuando como travel design.

leia também: Dúvidas para fazer um roteiro para Chapada Diamantina ?]

Cachoeira do Fundão – riqueza de Iramaia

O que a Chapada Diamantina Sul tem ?

Dúvidas para fazer um roteiro para Chapada Diamantina ?

Dúvidas para fazer um roteiro para Chapada Diamantina ?

Eu sei, você está aí feito doido no Google Maps para saber se é possível sair de Salvador e no mesmo dia ir para Fazenda Pratinha, curtir Por do Sol no Morro do Pai Inácio, dormir em Ibicoara para fazer Cachoeira do Buracão depois , néeeeeee

Recebi esse pedido estranho de uma viajante. Faço roteiros personalizados para os clientes do Chalé das Mangabas, por que está incluso na diária, contudo, surgiu a demanda de fazer roteiros para não-hóspedes também, ou seja, contratações avulsas, isso se chama Travel Design.

O Chat GPT também atrapalha muito soos turistas, um viajante sairia de Feira de Santana para Iramaia e o Waze mandou ele ir para Maracás e Contendas do Sincorá, uma loucura sem igual. E eu mesma que pedi um roteiro saindo de Ilhéus para Juazeiro e ele mandou ir por Vitória da Conquista. Isso tudo para dizer NÃO CONFIE EM APPS de mapas, nem “brogueiros” predatórios, nem em IA.

Chapada Norte é bem distante da Chapada Sul e eu sou adepta do Slow Travel, acho uma ganância das agências predatórias colocar turista para fazer check-in ou check-out todos os dias, dormindo em pntos diferentes, roteiros com 3 ou 4 atrativos para fazer mal feitos e sem curtir o mínimo, isso é um desserviço ao ecoturismo. Sou firme neste aspecto conceitual, Ecoturismo é momento de conexão com a natureza, é momento de entrelace com as águas, e desacelerar, e não de dar Chek em algum ponto turístico , tudo na agonia do tempo cronometrado, você sai de férias para relaxar e agência só te estressa com tanto horário engessado.

Feita toda esta explanação voltemos as dúvidas. A Chapada Diamantina tem 42 municípios, Tem o Parque Nacional e outras tantas unidades de Conservação Municipais e Estaduais, e tem gente que acha que em 5 dias vai ver “tudo”, vai ver pouca coisa e mal vista, vai ver tudo do carro e nas pressas. É isso que vai ver: muito chão e pouca diversão, e eu vi com meus olhos e tenho card para provar, que uma agência famosinha do Tocantins tá vendendo esse modelo de “circuito” aqui Chapada , 04 dias, 05 ou 06 dias de muito chão e POUCA DIVERSÃO, assim foi no Jalapão e não erre não, que na Bahia esse povo predatório não se cria.

O que não te contam é que em dias de festas como Carnaval e São João tem engarrafamento mostruoso na BR 324 e isso atrasa a viagem, que a BR 242 tem muita carreta de soja e isso atrasa a viagem, que a BR 242 é extremamete sinuosa e com vácuos sem internet, por exemplo, de Itaberaba até Seabra, são 160 km sem cidades, apenas 2 povoados e posto de gasolina, ou seja, vc tem de parar, abastecer, pedir senha de Wi-fi, se quiser alimentar um Waze dá vida, ou seja, tem um “deserto de informações digitais”, um vácuo por ali. Então você planeja um horário de partida e chegada e nem sempre dá certo.

Além disso a BR 242 é linda, vale parar no Morro do Pai Inácio, vale parar nos mirantes, em restaurantes, vc terá de abastecer, ir ao banheiro, isso aumenta o tempo de viagem. Que Jacobina é linda e é bem distante. Que Morro do Chapéu é viagem de 3 dias ou mais para curtir bem e desfrutar. Que Piatã tem mil lugares escondidos e é a cidade mais fria do Nordeste, que Seabra tem a maior feira da Chapada , que a Folia de Reis é de uma beleza sem igual.

Lençóis não é pertinho de Ibicoara, e Capão só asfatou agora, no mapa parece até perto ir para Mucugê via Guiné mas é estrada de chão e se chover ficará dificultoso. Itaetê é pequena e linda, mas jamais vá para o Buracão por dentro, o Waze vai te colocar em roubadas que nem o guincho chega, só carro traçado e com corda para te puxar, areão no meio do nada.

Sabe o que é legal e ajuda muito ? É conversar com a pousada que você reservou e pedir mais informações, é seguir as placas, é confiar em seu guia de ecoturismo, de preferência contrate antes de chegar que ele te guiará sobre as rotas. É difícil? Não. É só ser prudente e não achar que vai fazer 10 coisas em um único dia,

Para aqueles que gostam de um SCRIPT, de travel designer para sua Road Trip, um roteiro descritivo, dia a dia, é só nos contatar, pelo e-mail : falecomjurema@gmail.com ou pelo instagram @juremacintra a gente monta estratégia da hora que você sai de casa até a hora do retorno, com dicas de locais para café da manhã, almoço, janta, lojinhas, pontos estratégicos, melhor rota para unir os desejos do grupo ou casal, enoturismo, gastronomia de excelência.

Eu sou Jurema Cintra, Chapadeira, nascida em Seabra, tenho uma morada em Iramaia e amo viajar, outra paixão é ajudar os turistas e curtirem muito mais suas viagens com planejamento e muito respeito às comunidades locais.

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Povoado da Raposa e Chalé das Mangabas