Um tema espinhoso, por que a Chapada Diamantina é muito grande e dependendo da cidade você quer ir, tudo pode mudar, a logística aqui é complicada. Li uns artigos em outros blogs e achei que complicaram, mais que explicaram, quando a gente é do lugar a perspectiva muda muito.
Vou falar sobre 2 opções, a primeira se você NÃO VAI ALUGAR CARRO. A segunda se você VAI ALUGAR CARRO.
Passeios 100% com agência = SEM ALUGUEL DE CARRO
Se você não quer alugar carro e vai fazer TODOS os seus passeios com agências de turismo, pronto. O melhor é desembarcar em Lençóis, no Aeroporto Horário de Matos. Eles geralmente providenciam tudo , até mesmo seu transfer. Contudo você ficará engessado nos passeios, que geralmente são de dia inteiro. De noite não precisa de carro em Lençóis e a cidade é uma delícia e com muitas opções gastronômicas. Se as passagens para Lençóis estiverem caras demais, opte pelo Aeroporto de Salvador + ônibus que te deixará na rodoviária de Lençóis. Mochileiros também podem usar a cidade como base, a contratação de guias é fácil e tranquila. O restante dos passeios em outras cidades é uma logística complicada, tem poucos ônibus entre as cidades. Usem e abuse do aplicativo Blablacar.
Passeio com ALUGUEL de carro – com guias privativos
Roadtrip privativa é o que eu sempre faço, afinal sou nascida e criada em Seabra e tem locais que vou até sozinha. Mas se você quer ter LIBERDADE, fazer tudo com calma e se aventurar, deixar o novo adentrar, esta é a melhor opção.
Aeroporto de Vitória da Conquista – Glauber Rocha (que nome forte e linda homenagem ao cineasta) – é ideal para quem vai fazer passeios em Ibicoara, Rio de Contas, Itaetê, Mucugê, Vinícola Uvva, Ituaçu e Iramaia no Povoado da Raposa. Por que esse aeroporto tem + vôos, + barato +locadoras de carro + infraestrutura+ hotéis de apoio.
Geralmente o viajante pode fazer casadinha Mucugê + Ibicoara + Iramaia + Lençóis ou Rio de Contas + Piatã + Ibicoara , quando você soma passagem + combustível + locação, provavelmente Conquista ficará mais em conta.
Provavelmente você terá uma viagem de 2 a 3 horas até chegar seu destino, Já Salvador serão 6/7/8 horas de viagem para a Chapada.
Aeroporto de Lençóis – Horácio de Matos (é um história incrível deste coronel) .. É o aeroporto que te deixa dentro da Chapada, no meio da Bahia, mas fica recuado do centro, no distrito de Tanquinho, em Lençóis tem locadoras menores, consulte preços e disponibilidade e some para ver se compensa. A Diamantina Locadora tem boa frota.
De carro, você vai tranquilo para cidade de Lençóis e veja se o seu hotel tem estacionamento dentro ou próximo, a cidade é miúda. Lembre-se de deixar a vaga do guia no carro. Quando viajamos com mais amigos levamos um rádio comunicador, facilita demais, além de ser divertido, o guia vai passando as informações para os dois carros.
De carro você vai mais cedo para o Morro do Pai Inácio e não pega tanto fluxo, vai para os restaurantes legais, como Lila Orquidário, Bistrô Orquídea Negra, Paraguassu, Arenito, Mudra, com muita tranquilidade, no seu tempo. Confesso que sou Slow Travel. Irrita demais, estar num lugar tão legal e o guia chamar por que o horário é curto. Eu entendo, mas fica aquele desejo de “quero mais”, locando o carro, você pode curtir e aproveitar mais os locais, ficar até o por do sol no Arenito, provar os vinhos (eleja o motorista da rodada), voltar da Cachoeira do Buracão e ficar até mais tarde no Mudra, provando drinks e pratos especiais, ou ir na Pizzaria Jardim Secreto em Ibicoara, tudo fica mais afastado e não é roteiro das agências de turismo, e desfrutar do inesperado e do acaso, viu uma plaquinha: ENTRA E DESCOBRE, assim, já achei lugares incríveis como o Bistrõ A Camponesa no Campo Redondo.
MALA
Viajar de avião requer este cuidado com a preparação da mala. Vai ter um artigo mais detalhado, mas vamos ao básico.
. roupa de trilha
.bota de trilha
. tênis
. protetor solar
. chapéu ou boné árabe
, camisa UV
. sandália rasteirinha para saídas à noite (todas as cidades são de pedra, seu sapato alto será um risco para sua saúde, es í tem hospitais públicos em toda a Chapada); Se for apenas para fotos na Vinícola Uvva tá valendo, mas lembre-se que a visitação completa vai pro CAMPO, e eles pedem sapatos confortáveis e práticos, é linda, chique, mas o parreiral é terra.
, roupas leves
. xale ou casaco (se for inverno capricha, faz 10 graus em Iramaia, Mucugê, Piatã)
. casaco corta vento
. cantil de água e suporte
. óculos escuros
. meias
E se ficar mais tempo pega AirBnb com máquina de lavar roupa como é o Chalé das Mangabas.
VAMOS FALAR SÉRIO AQUI. Quando você faz uma viagem internacional, ou para o Rio Grande do Sul no Brasil, vai com uma mala vazia de 23 kg para as comprinhas ???? Por que viria para Chapada só com 1 bagagem de mão ??? Tem muita coisa para levar pra casa. Deixa um espaço na mala e no carro. Para levar as lembrancinhas, mas também para levar cachaças premiadas, vinhos baianos, bocapiu e outras bolsas de palha, roupas, joias e biojoias, pedras, polpa de fruta, mel puríssimo, rapadura, biscoitos caseiros deliciosos, doces na palha de banana, embutidos, queijos incríveis, arroz vermelho (não-transgênico), comidinhas saudáveis, é tanta coisa. Vai rolar um post só para quem vem pela estrada de carro, pra mim, é fundamental LEVAR UM COOLER e caixa térmica, eu volto com muita comida de lá: congelo feijão de corda, palma, carne de porco salgada de Seabra, carne de sol, bode, polpas de frutas, principalmente de mangaba, frutas vermelhas, verduras boas e baratas.
Então deixa o espaço aí para a agricultura familiar, para as delícias da Chapada Diamantina que vale demais, as nossas camisetas temáticas e ajudar o micro-empreendedor.
É muito conteúdo ? Muita estrada ? 24 cidades na Chapada ? Mas calma, manda um OI em nosso e-mail chaledasmangabas@gmail.com ou no direct do Instagram, ou por aqui mesmo e a gente monta um roteiro personalizado para você aproveitar muito bem a estrada, os caminhos, os melhores restaurantes e hospedagens.
Que a Chapada Diamantina é linda você já sabe, mas e as preciosidades escondidas?
O Parque Nacional da Chapada Diamantina é imenso e foi criado em 1985. Alguns municípios ficaram de fora e estão no entorno, como a cidade de Iramaia que já falamos aqui em outros posts.
Depois que criei o Chalé das Mangabas, cada dia eu curto e descubro mais coisas desta região incrível e que ficou tantos séculos esquecida.
O Povoado da Raposa tem 2 Cachoeiras que não secam, a Cachoeira do Fundão de 225 metros e a Cachoeira da Raposa.
Fundão é exatamente esta que vemos na frente do Chalé com toda sua imponência. As vezes parece que está bem seca, sem água, mas é ilusão, sempre tem um fio de água. Conversando com Isabela Macedo, minha irmã, geóloga da UFBA e que agora faz Mestrado, ao que parece trata-se de parte de água subterrânea, onde a Cachoeira seria um aquífero fissural, a água fica armazenada nas fraturas entre as rochas. Lá em cima, é um platô lindo, de campos rupestres abertos e que recebe toda essa infiltração da chuva, bem como, tem alguns pontos que brotam água que vem de nascentes.
PONTO DE PARTIDA
O Povoado da Raposa é o ponto de partida para este passeio. Localizado no município de Iramaia, está 34 km do centro da sede, e também 17 km de distância do centro de Ibicoara, são as possibilidades de acesso. Conta hoje com infraestrutura simples mas eficiente, 03 casas de aluguel de temporada, 2 hotéis, 01 lodge; refeições são feitas na casa dos moradores/nativos, valorizando o turismo comunitário. E claro que indicamos o Chalé das Mangabas para sua hospedagem seja de aventura ou romântica.
O acesso é de carro tanto por baixo quanto por cima da Cachoeira do Fundão. Ao chegar na Raposa é preciso contratar guias para os passeios, aqui indicamos Romário (077-981335129) e Titão(77-9815061730), que fazem Fundão por Baixo e Mirante da cachoeir, 2 trilhas diferentes, mas que podem der acessadas no mesmo dia, banho é nível fácil e o mirante é nível médio. E Adão (077-981315732) que faz a Cachoeira do Fundão por cima. Mesmo estando dentro do Instituto Torus a passagem pela sua propriedade deve ser comunicada e isso valoriza o guia local da Raposa, e é por sua segurança também. Eles recebem PIX ou dinheiro em espécie.
DURAÇÃO
Fundão por cima e por baixo é passeio de 1 turno apenas, ou pela manhã ou pela tarde. Vou falar aqui como fiz e foi maravilhoso.
Fundão por baixo
Saímos de casa depois do café da manhã; fui com minha vizinha Taliva, seu irmão Romário, Neguinha e Miguel, adolescente e uma criança, Romário é o guia local. Fomos de carro até o alojamento do Instituto Torus, avisamos a diretoria e pegamos a trilha, levamos ainda uma criança de 02 anos e foi muito tranquilo, basta ter cuidado e atenção. Ou seja, é um passeio muito bom com criança e para toda família.
Foram cerca de 15 minutos de trilha de chão batido, bem tranquila e leve. Depois 05 minutos de subida de pedras até chegar no primeiro poço. Pronto chegou na Base da Cachoeira do Fundão por baixo. Olhar para cima, chega dá vertigem de tão alta. Perfeita para um passeio em família e fazer piquenique, levamos manga, abacaxi, uva e castanhas, e água mineral, trouxemos todas as cascas de volta. Lixo orgânico, ainda assim é lixo e deve ser retirado deste bioma.
De longe, quando estamos no Chalé ou no Povoado parece até que ela está sequinha, que não tem água, só que é impressão errônea, o poço fica bem rasinho e o acesso facilitado. Colhemos Muquiba, uma semente de árvore nativa que a comunidade tradicional usa para preparos de remédios estomacais e ainda voltamos para o almoço no Chalé. O tempo estava um pouco nublado e não impediu o passeio, foi até bom, por que no dia anterior teve um sol medonho. Isso para dizer que não importa se está chovendo, seco, nublado, sempre haverá passeios para realizar ou Cachoeiras para Contemplar. Por vezes chove pela manhã e 11:00 abre um sol medonho, ou seja, você e seu guia podem decidir com segurança e esteja aberto aos imprevistos climáticos.
Banho no Fundão por cimaRomário – guia de ecoturismo
Fundão por cima.
Saímos da Raposa às 14:00 de carro até o Povoado do Bonfim, onde tem poucas casas e esta Serra que está por trás do Fundão, levei nosso guia Adão em meu carro, mas ele tem moto e pode te encontrar no Campo Redondo, por exemplo. Deixamos o carro longe, na cerca que foi fechada e começamos a caminhada de 07 km ida e volta pelo platô. Entre o dia que fiz o passeio por baixo e depois em por cima foi uma espera de 09 dias, pois as chuvas foram intensas em janeiro de 2025, tivemos de esperar secar o suficiente para caminhar nos campos rupestres lá de cima, estava bem fechado, mas Adão sabia exatamente a direção, não é fácil, a sensação de imensidão do abismo engana os olhos.
Caminhamos em leve descida, parece até linha reta sem declive, é um passeio de nível fácil, contudo com poucos viajantes por ali, o caminho não está tão aberto, tenha espírito aventureiro. Ou seja, na volta tem um leve aclive, mas tudo tranquilo, trilha de nível fácil, mas que necessita OBRIGATORIAMENTE de guia. Encontramos 2 meninas no caminho, para ser eufemista (serpentes), o que é super normal na Chapada Diamantina, com um guia experiente tudo correrá tranquilo, desviamos e seguimos caminho.
Depois de vencer o capim e o brejo que aquilo virou com 10 dias de chuva intensa, chegamos nas pedras e as infiltrações de água se unem para compor o córrego d´água até formar a impressionante Cachoeira do Fundão. É lindo demais de ver essas condições geológica com os olhos, a gente aprende na escola, o que é infiltração de água da chuva, ponto de recarga hídrica, mas VER E SENTIR a sua magnitude, é incrível. Tinham muitas flores nativas, eu sou apaixonada pelos Campos Rupestres da Chapada Diamantina.
Fomos até a borda, mas com segurança, e tomei banho no poço da Cachoeira lá em cima, parece uma piscina de borda infinita, foi o maior rebuliço no Instagram, mas acredite é um ilusão de ótica, Adão jamais me colocaria em risco, e eu sou MUITO MEDROSA, não me colocaria em risco, eu não pulo em pedra: eu sento e desço, eu não pulo em águas e poços, eu entro devagar na água, tenho medo das pedras mudarem de lugar. Mas lá em cima, eu sentei na margem e depois no pocinho, a água não tinha 15 cm de altura e o fluxo baixou o dia inteiro, não havia correnteza, como não tem “rio acima”, era impossível uma tromba d´água, então não se assuste aqui também com esta foto. Nunca teve acidente lá e o passeio com banho é seguro sim.
Paramos nas quedas maiores para lanchar, de novo MANGA e tâmaras, uma delícia. Marcou 17:00 e precisamos voltar, o sol baixava , mas o calor não, fizemos o retorno pela antiga estrada, que parecia ter marca de trator, mas impossível entrar carro naquelas condições de molhação, já chegamos no por do sol e foi lindo demais.
Voltamos para Raposa, mas vai a dica. Combinem com Adão para ele ir de moto e isso possibilita que você tenha liberdade e possa lanchar ou jantar no Campo Redondo, sugiro a Camponesa para pizza ou a Padoca para Sanduíches deliciosos e brownie de nozes ou licuri, mas se o Guia quiser ir é uma ótima forma de fazer amizades e descobrir curiosidades.
Mas cadê mais fotos deste paraíso ??? Vou colocar poucas aqui, pois no Instagram, os vídeos são incríveis e falam por si.
Eu imagino o tanto de dúvidas que você tem em sua primeira viagem para Chapada Diamantina. O território é enorme e muitos locais de difícil acesso. Pensa como uma viagem para São Paulo, Nova York, uma cidade grande merece mais e mais visitas. Tenho certeza que vai bater a paixão e você retornará.
Mas vamos para dicas essenciais.
QUAL SUA CIDADE BASE ?
Sim, isso vai influenciar e muito. Indico usar Mucugê para Chapada Sul, e se você quer visitar vinícolas e cachoeiras de Ibicoara como Buracão e Fumacinha, é nesse roteiro que vamos nos dedicar.
Para chegar em Mucugê de carro, será pela BA 142, que é bem acidentada, é preciso ter cuidado com curvas e evitar de fazer esse trajeto pela noite. Até mesmo por que o caminho é lindo e merece ser visto durante o dia. Sempre digo que o caminho também é a VIAGEM.
Vindo de Salvador, faça a rota BR 324 → Paraguaçu → BR 116 → Milagres → Iaçu → Marcionílio Souza → Itaetê → BA 142 → Mucugê
Vindo do Oeste da Bahia faça a rota BR 242 → Entroncamento de Boninal → Boninal → Colinas do Sul → (estrada de chão de Colinas até chegar na BA 142 – sempre bem conservada por causa do agronegócio) → Mucugê
Vindo do Sul da Bahia faça a rota BR 101 → Ubaitaba → entroncamento de Ubatã → Ubatã → Jequié → Pé de Serra → BA 407 → Contendas do Sincorá → Tanhaçu – Ituaçu → Barra da Estiva → Mucugê
Todas essas rotas tem atrativos interessantes no Caminho, e você pode explorar montando um roteiro personalizado, um script de viagem, e caso desejem, manda e-mail pra gente ou nos contacte via instagram @juremacintra . Vindo de Salvador, Itaetê tem o Poço Encantado e Nova Redenção tem o Poço Azul no percurso, vale sair mais cedo e ver essas maravilhas da natureza.
Vindo do Sul da Bahia, vale a parada em Ituaçu para ir na Gruta da Mangabeira e na Cachoeira Moendas ou subir o Morro das antenas em Barrada Estiva e ver o Sul da Chapada com uma visão panorâmica.
Vindo do Oeste da Bahia, se estiver muito cansado, durma em Seabra, a feira livre do sábado é uma atração cultural incrível e depois sigam viagem, a vinícola Uvva é um boa opção de almoço no percurso.
CHEGANDO DE AVIÃO
Aeroportos mais próximos de Mucugê são dois. O aeroporto Horário de Matos em Lençóis e o aeroporto Glauber Rocha em Vitória da Conquista. Mesma distância até Mucugê, mas vai o pulo do gato, em Conquista tem muito mais estrutura, de aluguel de carros, mais vôos , mais horários e mais baratos, supermercado para compras. O aeroporto de Lençóis fica 40 km distante da cidade e é bem pequeno, você precisa agendar TUDO ANTES E COM ANTECEDÊNCIA, inclusive transfer. Já em Conquista tem as grandes locadoras com preços competitivos.
Você já sabe como e onde chegar, agora precisa decidir sobre os atrativos. Nunca vá para Cachoeiras sem GUIA, com exceção do Parque Municipal Sempre Viva em Mucugê, onde tem a Cachoeira da piabinha e Tiburtino que é auto-guiada e sempre tem muita gente, nas demais é obrigatório entrar com guia. Eu sou de Seabra, o coração da Chapada e todo ano tem essas histórias tristes, de turista que vai sozinho para algum atrativo e se acidenta, ou é picado de cobra, ou morre mesmo. Não vacile.
Em Seabra, Vale do Pati e Lençóis indico a guia Clara Guerreiro , em Ibicoara e Mucugê indico o guia Roney, são pessoas sérias e todos elogiam, farão grande diferença em sua viagem.
Quando você elege uma cidade como Base, o legal para aproveitar mais é fazer uma CASADINHA, sim, unir 2 cidades para não se cansar com tanto bate e volta, por que os atrativos na zona rural são muito distantes Vamos falar da Casadinha Mucugê + Serra da Raposa, então você une turismo histórico e cultural na cidade de Mucugê, enoturismo na vinícola e ecoturismo e turismo comunitário com as famosas Cachoeiras de Ibicoara e Iramaia que são elas Cachoeira do Buracão, Fumacinha, Licuri, Andorinhas, Cachoeira dos Gatos.
E aí entramos no tópico hospedagem.
Em Mucugê e Serra da Raposa temos diversas opções, desde as mais econômicas, até luxuosas. Não consulte apenas o Booking, muitas pousadas aconchegantes de Mucugê estão apenas no Google. Na Serra da Raposa idem, temos empreendimentos de requinte como Chalé das Mangabas e Bike Lodge e pousadas aconchegantes como Chalé Paraíso da Serra, Pousada Encantos da Serra e Pousada Raposa e os Airbnb do Mirante da cachoeira, A Casa do Montanhista e Ecocamping de Flávio Marçal.
Ficar no meio rural facilita e otimiza os percursos para as Cachoeiras. Mas claro, isso tudo se você tem mais dias para curtir. Férias chegando e a Chapada Diamantina está aí para ser explorada, 07, 10, 15 dias. Talvez precise de uma vida inteira para conhecer tudo com profundidade, se você só tem um final de semana, venha e desfrute ao máximo.
Escolheu cidade, transporte, hospedagem, vamos falar de mala ???
Eu vejo fotos no Instagram e fico em choque como as pessoas estão desprotegidas em alguns ambientes. Você gasta para cuidar da pele, do corpo, compra roupas para festas incríveis e não se protege na trilha ???? Vai entender …
Não esqueçam de VER A PREVISÃO DO TEMPO, no inverno faz bastante frio, quando dizemos bastante é que Piatã pode chegar fazer 8, 9 graus e a rota dos cafés especiais é tudo de bom.
A listinha básica:
tênis
bota de trilha (teste antes, certa vez fiquei 6 meses sem usar a minha bota e ela abriu toda a cola, quase fico descalça na trilha), é melhor , MUITO MELHOR que tênis para trilha
chapéu/boné
protetor solar pro corpo e rosto (repasse muitas vezes)
roupas leves
camisa UV
calça para trilha ou legging (tente adquirir o produto específico para trilha, tem bolsos, duram, é confortável, pense como um investimento)
mochila pequena e leve (mochila de ataque para trilha)
Porta cantil para água (isso facilita e muito na trilha)
garrafa de água
sandália rasteirinha (Mucugê é toda de pedra, seu alto alto não servirá para nada, exceto que você queria ir para o hospital com pé torcido)
short
vestido
blusa de frio ou Xale
NO INVERNO – ROUPAS DE FRIO E PIJAMA QUENTE – não subestime o frio da Chapada Diamantina
Leve dinheiro, maioria dos lugares aceitam PIX, mas nem todo lugar aceita cartão de crédito.
E ai, este post tem mais texto que fotos e a ideia é essa mesma, deixa as paisagens para você ver com ineditismo, as vezes fico refletindo comigo mesma: vemos tanta foto no Instagram e Tik Tok que quando chegamos no destino, perde a graça, é como se você já tivesse visto. Mas o passeio de ecoturismo não é só foto, é cheirar o mato e as flores, é ouvir os pássaros, é ver os animais silvestres, é se emocionar com um arco-íris, é a amizade , é a conversa boa da trilha, e a surpresa .
Se você já foi 02, 05, 06 vezes na Chapada Diamantina, absoluta certeza que viu pouca coisa.
Como tudo aqui é longe, é possível que falte 70% do território para explorar.
Vou passar um roteiro de 5 dias que fiz para uma amiga e deu super certo, por que conheço as distâncias e os “cantinhos” escondidos deste paraíso, às vezes fico até com dó de contar pra vocês, por que o refúgio, não pode deixar de ser refúgio.
VIAGEM PARA Serra da Raposa + Ibicoara
1º DIA
(09:30)- saída de Ilhéus via BA 262- Uruçuca
Sugestão de almoço: Pitu em Jitaúna no Júlia e CIA
073-998041743
Segue estrada via Jequié – BR 330 – BA 026 – BA 142 via Ituaçu
Sigam por Ibicoara
Chegada – colheita de morangos orgânicos no Café Canjerana(muito bom para fazer sucos e tomar com espumante
Ida para Raposa antes do anoitecer – Ibicoara- Campo Redondo- Raposa
Parada no mirante da Raposa(banco com vista bem legal, principalmente no por do sol)
17:30 – check- in Chalé das Mangabas
Contemplação da LUA e estrelas; é acompanhar o por do sol e ver a mágica acontecer no Paredão da Serra da Raposa com direito a fogo de chão, roda de fogueira, carta de vinhos selecionados e até jantar romãntico.
2º DIA
09:00 – saída para a Cachoeira do Buracão- Parque Municipal do Rio Espalhado
Levar Kit lanche e agendar com guia com antecedência
09:30- Café da Manhã na PADOCA e encontro com o guia/condutor
Dia inteiro no Buracão e ainda ver o Por do Sol no Mirante do campo redondo + tirolesa
Comer pastel de Jaca ou jantar no Bistrô A Camponesa
Opte por encaixar o Buracão em dia de semana, por que sábado, domingo e feriados tem muita gente.
3º DIA
Trilha da Cachoeira do Licuri (Nível leve e aut-guiada) , são 08 km do Chalé das Mangabas. Você chega na entrada de carro, paga aluguel de um colete e caminha cerca de 20 minutos ou a Trilha das pinturas Rupestres ou Cachoeira da Vendinha (nível médio tem de levar lanche ir com guia) – saída à pé pelo Chalé das Mangabas, é um passeio bem exclusivo e pode agendar tudo com a Taliva e o Romário, são irmãos e moradores locais.
Levar kit lanche e sair mais cedo por causa do sol
Almoço na casa dos nativos – Galinha Caipira com Godó ou palma (reservar com Taliva ou Dona Neia )
De tarde ainda dá para ir no Poço do Rio da Raposa , em que você chega de carro, tem apenas 1 escada para descer ou fazer passeio de Ebike com Bike Lodge .
4º DIA
Acordar mais tarde e andar pelos arredores do Chalés das Mangabas
12:00 – almoço na vinícola UVVA (reservar pelo Whatsapp) – Sugestão Carne de Sol de Cordeiro
14:30 – tour completo na UVVA
Por do sol na Uvva e wine bar
(Obs: eles são super rigorosos com horário, se agendar tem de chegar mais cedo)
17:00 – andar pelas ruas de Mucugê, visitar lojinhas
19:00 – jantar no Odeon Bistrô que tem um arroz vermelho muito bom
5º DIA
Retorno para Ilhéus via Jequy (estrada de chão )
– Seguir na casa de cultura para Direita
– Povoado do Campo do Meio
– Povoado do Jequy – tem a linha do trem e casas centenárias
– Povoado do Cobreiro
– Iramaia
– BR 330
É estrada de Chão, mas pensa uma caatinga LINDA , ESSE CAMINHO É UMA AVENTURA EM SI
BAIXE SEMPRE O MAPA OFF LINE e na dúvida pergunte nas casas, Iramaia, é um deserto populacional
Quer ver fotos de todo esse passeio ? Ficou curioso ? Segue lá @chaledasmangabas
Deixei apenas texto para facilitar você copiar e adaptar. Os hóspedes do Chalé das Mangabas recebem um guia de boas-vindas em PDF com todas as informações detalhadas e contatos de cada guia e morador, clique aqui para reservas.
ROTA DO CHOCOLATE : VISITANDO A DENGO ORIGEM E A FAZENDA CONDURU
Já ouviu falar do Chocolate Dengo ? Aquelas lojas em shopping ?
Pois é, mas a ideia surgiu aqui no Sul da Bahia e nesse afã de conhecer o máximo de Fazendas finalmente fomos na Experiência Dengo Origem dentro da Fazenda Conduru.
Claro que mandei uma mensagem e conseguimos um voucher de desconto. (073-99846-8882)
Saímos de llhéus 11:45 e no total marquei uma hora de viagem, sentido Itabuna, ali no viaduto, seguimos pela direita através do semi-anel Rodoviário que termina na BR 101, logo depois da Nova Califórnia, na entrada de Mutuns, já vemos a plaquinha: Dengo Origem. SE você errou e parou na BR 101, volte, coloque no Google Maps que dá certinho.
São mais 06 km de estrada de chão, carro pequeno vai, mas tenha paciência se chover. Foram 15 minutos até chegar na sede, os pórticos e um segurança já nos deixaram animados.
E quando chegamos na Agrícola Conduru, que emoção, que paisagismo lindo em meio à mata de cabruca, o cacau novo, árvores jovens, tudo muito produtivo. Já fiquei impactada na chegada, tudo bem sinalizado.
O restaurante Cabruca logo se mostra gigante e belo, grandes portas de madeira abertas, parece dentro da mata; Não é preciso agendar se você for apenas almoçar ou lanchar, funciona de quarta à sábado das 09:00 às 16:00 e tem um café bem charmoso, contudo recomendo agendar para obter informações da estrada, do tempo e se está cheio ou não. Cardápio pequeno, enxuto, mas tive vontade de provar tudo, com certeza terei de voltar mais vezes pois fiquei com desejo, sou gulosa. Tem opções veganas e o legal é que eles divulgam o cardápio no site www.dengoorigem.com.br, ou seja, sem surpresas de preço e gentil com quem tem restrições alimentares.
Pra começar os trabalhos do dia o clássico Gin com Mel de Cacau, drink que amo de paixão e nunca falta em minha casa.
Provamos tudo, de entrada, 4 coxinhas baiana de xinxim de frango, salada Agrofloresta e de prato, o Rota do Mar, dourado com redução de capim santo. Recebemos de cortesia o suco Cabruca, é com letra maiúscula mesmo, eu amo suco de cacau e já falei aqui que deveria ser objeto de desejo de turistas que vem no Sul da Bahia. Olha o pulo do gato, eles fazem assim: colocam polpa de cacau, ao invés de usar água, colocam Mel de Cacau e adoçam com melado de cacau, voilá, que ideia genial, pra que água se temos Mel de Cacau? E se você não sabe o que é esse néctar fermentado vegano, clica aqui, que até poema já fiz de tanto amor, tudo com canudo de bambu ecológico e flores comestíveis enfeitando.
A salada tinha um molho incrível com limão balão e Mel de Cacau, e as castanhas de caju caramelizadas crocantes ? Ô vontade de comprar cinco mil kilos daquilo e nunca mais desgrudar.
O prato principal se chama Rota do Mar, leva taioba, capim santo e musseline de abóbora, tudo gostoso demais, um equilíbrio perfeito. Sobremesa eu provei o mousse de chocolate 70% e Anderson a cocada de forno, de comer rezando mesmo. A cumbuca de coco em que são servidos nos alerta, pra que potes descartáveis em doces, pra quê? Se temos tudo de bom na natureza. Por cima do mousse tinha um chocolate ralado tão suave, fofinho, delicioso e chocava com a rusticidade do nibs, um equilíbrio intrigante.
O ambiente todo aberto, ideal para ir com crianças, tem parquinho, redes, lápis de cooriri e podemos ver os pequenos enquanto comemos, tudo lá é instagramável, as cadeiras de design, cada peça de decoração, cada pá e esteira nas paredes, é baianidade pura. Primeira vez, sabe como é, eu olhava tudo com encanto, não deixem de ter esse olhar quando entrar nos locais; do lustre aos detalhes do banheiro, olhem… alguém se esforçou em fazer esta composição.
O TOUR : DO CACAU AO CHOCOLATE
Nosso almoço terminou 14:10 e logo começou o tour, era dia de sábado e aí vai a dica, acho que o Tour na semana deve ser mais legal por que a produção está funcionando, ver os trabalhadores fazendo mesmo, colhendo, lavando, processando o cacau outras frutas, nada lá é fake. E esse é um tema espinhoso, sim, eu já fui em vinícola Fake e só descobri depois . A Dengo é Origem e Original ou seja, as coisas acontecem mesmo, é uma agrícola produtiva, mas como fomos sábado de tarde, os trabalhadores CLT já tinham terminado o turno. Bom saber o respeito ao trabalho decente hein? Depois das denúncias em Bento Gonçalves, minha ótica sobre o vinho brasileiro mudou e só voltarei lá depois do cumprimento de todos os itens do acordo com o MPT- Ministério Público do Trabalho, e não estou sendo radical, estou sendo justa, meu dinheiro de turismo e enoturista não irá financiará trabalho análogo à escravidão. Então quando vejo coisas certas, eu exalto mesmo e como vocês sabem , aqui são impressões reais de uma turista, já que tudinho foi pago com meu suor, não é publi e respeito os influencer que fazem com responsabilidade e consciência de classe.
Começamos calçando as perneiras por segurança, Mata Atlântica gente, é muito bicho mesmo. Seguimos por um caminho cheinho de pássaros, até adentrar na Cabruca.
Nos ensinaram como fazer um muda, entramos no viveiro de enxertia. Depois atravessamos uma roça MUITO PRODUTIVA, lindo de ver e fotografar. Cacau é lindo demais e na Dengo todas as cores da paleta são verificadas. Cacau tem paleta de cores, sua casca é um riqueza de colorimetria.
Num mini-barracão, paramos no meio do caminho para quebrar e degustar cacau, entender sobre colheita e produção, tivemos a honra da companhia da agrônoma Marina Paraíso que atua no empreendimento e foram muitos aprendizados novos.
Seguimos para casa dos cochos, tudo monitorado com termômetros para garantir uma fermentação perfeita com muita higiene e ciência.
A Dengo tem barcaças comuns e este é o cacau comodities que você compra em qualquer mercado e tem também as estufas especiais que garante uma secagem rápida, eficiente, que vai para produção de Chocolate Fino. Aqui já sentimos aquele cheiro gostoso de chocolate exalado pelas amendôas em secagem.
A Casa da Degustação é linda demais, já dá vontade de passar a tarde toda lá conversando. É apresentado um vídeo de 03 minutos sobre a fabricação no modo Dengo e Bean to Bar, tem as máquinas em tamanho menor e claro, a degustação de 04 tipos de chocolates, com um mapa sensorial para testar os olfatos e paladares mais apurados, e haja apuração, eu com rinite alérgica as vezes não sinto nada, mas a questão do Slap(ouvir o barulho ao quebrar), aparência e textura, já estou ficando craque.
Um pedido especial: LEIAM AS PLACAS, elas estão ali com muito conteúdo importante, acho chato turista que não tá nem aí pra nada, eu estava numa vinícola linda e o cara estava bêbado, disperso e fez xixi no parreiral, vi de longe, mas juro que se fosse em meu grupo eu pediria para ele se retirar. As placas da Dengo Origem em Português e Inglês tem bastante informações e você descobrirá que chocolate é um alimento mesmo dos Deuses, menos açúcar, mais cacau, este é o lema do movimento sulbaiano.
Se você não entendeu, basta comparar com vinícolas, cada uma tem o terroir, as condições físico-químicas do solo que mudam o gosto de uma comida, e por mais que a genética da Uva Cabernet Franc seja a mesma e imutável, o solo, o clima, e o enólogo darão um formato para cada lote de vinhos. Assim, é o cacau, Parazinho ou Trinitário, a genética é igual, mas o solo, a adubação e a receita do chocolatier sempre mudará, e essa é a mágica, visitem quantas Fazendas de Cacau puderem e fábricas de chocolate também, e assim cada dia você perceberá mais o que é fake ou não em uma produção e irá apurar o paladar. Eu como 80, 90% tranquilamente e harmonizo com vinhos, mas só consegui isso com muita comilança e ouvindo as pessoas, os eventos, como o Festival do Chocolat que em 2023 está na 30ª edição.
Esqueça este nome de “chocolate caseiro” ou “artesanal”, aqui em nossa região são indústrias pequenas ou médias ou multinacionais, que usam de muita tecnologia e ciência para fazer Chocolate Fino ou Bean to Bar, do grão à barra. A produção pode ser pequena, mas não é “caseira”, é chocolate fino com amêndoas selecionadas e até premiadas internacionalmente.
Todo o circuito é uma delícia e se caminha um pouquinho, vá no banheiro antes. Se estiver nublado, não recuse o guarda-chuva como nós e divirta-se, ainda dá para tomar um cafezinho na saída e fazer mais fotos lindas. Eu perguntadeira que sou falei sobre nosso projeto de compostagem do GAP e perguntei da adubação e descobri que a produção é biodinâmica, como produção de E.M. MICRORGANISMOS EFICIENTES e composto orgânico também, amei saber de toda essa parte de sustentabilidade no enriquecimento do solo. Lá produzem frutas desidratadas e como a produção de chocolate é alta, precisam comprar de fora , garantindo preço muito melhor e justo para centenas de pequenos produtores de todo o entorno e outras cidades, preço justo e produção responsável, práticas Lixo Zero, como não se encantar com essa união de valores que estampam as fotos dos parceiros em cada parede ?
MEU SENTIMENTO PESSOAL
Não é só um projeto econômico, parece mesmo um projeto de vida dos idealizadores e proprietários, ilusão minha? Não sei, só sei que é bom demais, comer bem, provar chocolates deliciosos e saber que não houve exploração nem de trabalhadores nem de produtores. Uma amiga me disse que não sente graça, nem vontade de visitar fazendas de cacau, mesmo sabendo do turismo de experiencia, por que ela só lembra da sua infância sofrida, do trabalho árduo e desvalorizado dos pais e avós humildes, está aí um paradigma a ser quebrado. Aquela época de coronelismo, mortes, grilagem, exploração, economia imperialista precisam ficar no passado, o momento é de sustentabilidade , ESG, trabalho decente e muito chocolate de qualidade, é um movimento decolonial, que acredito estarmos vivendo.